segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Manhã de Carnaval

Manhã de Carnaval

Assim serão as manhãs a teu lado, quando aqui estiveres, minha amada.

Manhã, tão bonita manhã Na vida, uma nova canção Cantando só teus olhos Teu riso, tuas mãos Pois há de haver um dia Em que virás Das cordas do meu violão Que só teu amor procurou Vem uma voz Falar dos beijos perdidos Nos lábios teus Canta o meu coração Alegria voltou Tão feliz a manhã Deste amor

Nesta canção, de Luis Bonfá e Antonio Maria, encontra-se tudo aquilo que meu coração sente.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Eu sabia que era carioca!

Como podem dizer que cariocas não trabalham?
Julgam que os nativos do Rio de Janeiro são chamados de cariocas por causa do rio Carioca que percorria aquela cidade e entretanto desaparecido? Pois parece que não é assim!
Neste blog descobri a lenda sobre quem são os verdadeiros cariocas.
Parece que um tal Men de Sá quando chegou ao Rio de Janeiro construiu, como era usual, um marco português que representava a posse de Portugal sobre as terras que se iam descobrindo.
Os Tamoios – índios nativos da área que agora forma o Estado do Rio de Janeiro – achavam o Men de Sá parecido com o peixe CARI, talvez por causa das suas roupagens coloridas, e pensavam que o marco que ele construía era a sua casa, a que os Tamoios chamavam OCA.
Conclui-se, então, que algum Tamoio terá dito que o CARI fez a sua OCA.
Portanto, o verdadeiro CARIOCA era na verdade um português!
Ora, eu amo uma carioca "da gema". Sou portuguesa - porque filha de portugueses - nascida em África. Adoro a cidade do Rio de Janeiro e, aqui entre nós, ela adora-me a mim. Sou apaixonada pelas paisagens, praias de areias douradas, mar de um azul incrível e pôr de sol fantástico do Rio de Janeiro. Sou louca por Matte Leão e Biscoito Globo, portanto, só posso mesmo ser carioca!
Olha só que coisa mais chata. Fala sério!

domingo, 4 de outubro de 2009

Adios La Negra ! Adios companera! Adios Hermana!

Minha gratidão por todos os anos em que sua canção voou por todo o nosso continente pulsando gana e esperança.
Eram tempos duros de ditadura.
Sua voz, seu canto, a nueva cancione latino america era um chamado com um adiante! Com um Gracia a la vida com um da-me tu mano hermano, e eram tantos hermanos que nem los podia contar.
Sua voz quente, terna e guerreira paira em nossa alma até hoje cara hermana Mercedes.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

É Esta Paixão Que Nos Une

Rio cidade sede das Olimpíadas 2016.
Linda a apresentação de nossa cidade no COI e muito bom o discurso do Lula.
Deixo aqui o link do site oficial do Rio 2016
A festa em Copacabana foi demais!
Somos de fato uma cidade de braços abertos para o mundo.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Estereótipos, Clichês, Preconceitos ou "Cada um é como cada quare e ninguém é como evidentemente"

Retorno aos posts de Portugal.
E começo a falar do Brasil para que fique claro o quanto nós somos vitimas de estereótipos, clichês e preconceitos. Assim como nós brasileiras e brasileiros temos estereotipado os portugueses e Portugal!
"Brasileiro lá fora se ainda não roubou, olho nele que o fará."
Somos o país da banana, e dos bananas!
Nosso solo é ótimo para a sacanagem, nossas mulheres são sensualíssimas, mas putas!
O turismo sexual é demais!
Ahhh e tem nosso produto exportação: travestis e mulheres para a prostituição.
Como dizem, todo estereótipo e clichê tem um fundo de verdade.
Nós, brasileiros, somos inconsequentes, lerdos e sem agenda. Este é o estereótipo de nossos profissionais lá fora.
"Somos "muuuiiiito devagar"!
Além disso, em filmes somos apresentados dançando rumba, ao invés de samba!
A Amazônia fica no sul!
Ok tem muito de falta de informação né? De falta de cultura!
Mas é isso mesmo o que nós brasileiros fazemos com Portugal.
Por pura falta de informação, de conhecimento, julgamos um povo e traçamos o perfil de uma nação pela ignorância.
Portugal é um país pobre, de pessoas mal educadas e o pior de burros!
As piadas proliferam.
Triste!
Tomamos um povo e uma nação por uma pequena parte de portugueses que conhecemos ou que ouvimos falar.
Temos a noção de todo um povo por alguns imigrantes portugueses pobres, Transmontanos, que para fugir da fome para cá vieram.
Eram incultos, pobres, famintos.
Eram os burros sem rabo.
Aqueles que puxavam carroças, com peso imenso. Carregadas de jornais velhos, garrafas, latas.
Foram os primeiros que reciclaram o lixo!
Incrível né?
Eram aqueles com bigodes, falando um português estranho aos nossos ouvidos, com um avental amarrado à cintura. Muitas vezes atrás de um balcão de boteco, de um açougue, de uma padaria.
As mulheres, embrutecidas pela enxada, pelo cultivo do solo que lá deixaram, com as mãos grossas e a aparência mal cuidada por falta de tempo e de grana.
Trabalhadores? Sem dúvida.
Honestos? Com certeza!
São estes que serviram de modelo ao nosso estereótipo e clichê a respeito dos portugueses e de Portugal.
Fora a nossa cultura tão americanizada. E francesamente europeizada!
Isto fruto dos meios de comunicação, do cinema. Os filmes americanos nos apresentaram uma Paris romântica!
Aqui não vai nenhuma crítica aos franceses e à bela França! Muito ao contrário.
Mas convenhamos nossa educação passa pela informação clichê de que a Europa é Paris e o máximo é o American way of Live!
E aí saímos acreditando que Portugal era o cú do mundo.
País de gente burra, feia e mais que isto um país atrasado em tudo
Quanta ignorância!
Quanto preconceito!
Que forma de ver recheada de clichês!
Lembro aqui, que nós lésbicas sofremos todo tipo de preconceito, de estereótipo, inclusive entre nós mesmas!
Lésbica é sinônimo de mulher-macho.
Lésbica? Cruzes, deve ser uma sapatão, feia, metida a homem, tipo chofer de caminhão.
Já viu que a imagem de uma lésbica é sempre estereotipada?
E mesmo nós lésbicas utilizamos de estereótipo conosco?
Lésbicas são lindas e mulheres!
Claro que o senso de estética me leva a ver algumas lésbicas feias. Assim como heteros também. Assim como algumas obras de arte, músicas, filmes etc.
Porem não generalizo, não digo os filmes são uma merda.
As músicas são chatas!
Os quadros são anti estéticos!
Eu pontuo! Eu imprimo o discernimento!
Me estarrece o preconceito sob qualquer forma que ele se apresente!
Me irrita o clichê!
Sou totalmente impaciente com a ignorância!
Somos seres humanos com culturas distintas, com gostos diferentes, com orientações sexuais diversas.
Cabe-nos procurar conhecer mais daquilo que nos difere, antes de rejeitarmos ou criarmos estereótipos a partir da ignorância, assim construindo o pré - conceito!
Para que possamos entender mais desta imensa riqueza cultural de nosso querido Portugal, postei este vídeo que fiz a partir de um PPS da AICEP em inglês, a tradução é livre. A música é Verdes Anos executada pelo maravilhoso Carlos Paredes.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Mudei de cara


Como vocês podem ver, mudei de tom, de ar, de cara!
É que não combinava mais com meu estado atual manter aquela escuridão toda, aquela dificuldade de ler...
Resolvi clarear "tudim" como dizem os mineiros.
Tá aí, pronto, quer dizer por enquanto, ou seja até que me dê no saco outra vez!
Não me considero inconstante, mas gosto de mudar, conhecer o novo, acolher o que meu coração pede.
Adoro ser que nem agua de um rio, sempre a passar por entre as pedras, a correr pelas margens, e se um dia alguma coisa me deter é porque deixei de ser rio e passei a ser uma represa, ou um lago, hummmm minha incontrolavel maneira de ser romperia os diques hehehehehe!
Acontece que minha meta mesmo é ir ao encontro do oceano e me tornar o próprio mar!
Tá dito!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Uma nova brisa nos ronda, uma imensa onda nos impulsiona surfar ou seremos engolidas por ela!

Desculpem-me, sei que os posts sobre Portugal vão ter que esperar mais um pouco. Sabe o que é, gente? É que nossa sociedade está dando saltos, como se tivéssemos encontrado, finalmente, o fio da meada perdido a long time ago! Põe long time nisso! Então, temos um líder na Assembléia Geral da ONU que tá botando pra quebrar. Ué, ele é padre, e peço aqui licença, pois felizmente, os rótulos nem sempre se justificam. E quiça eu os justifico! Aqui, deste meu cantinho terceiromundista, como uma carioca com discernimento, pratiquei a apostasia. Ou seja, abri mão de forma consciente e muito prática da tal ICAR! Sorry, mas isto não me impede de ver e reconhecer os magníficos seres humanos que optaram por ser padres, por exemplo: Dom Helder Câmara, Leonardo Boff(este foi expulso da ICAR, hehehehehe), o estupendo Dom Paulo Evaristo Arns, (este enfrentou a polícia e a cavalaria da ditadura dentro da Igreja), e outros que não me vem à memória agora. Então vambora lá falar de mais um incrível padre. Trata-se de Miguel d’Escoto Brockmann. Atual presidente da Assembléia Geral da Onu. Um pouco dele vc pode encontrar aqui neste link E um excelente artigo sobre o que está a rolar na ONU aqui neste ótimo texto do Leonardo Boff "Esta Sociedade Merece Sobreviver?". O Miguel está bolindo em casa de marimbondo, entre outras coisas, ele já se colocou frontalmente contra a Monsanto, aquela dos trangênicos e das atitudes antropofágicas no mercado. Eu tenho sempre afirmado e postulado, com ênfase, a nossa nova condição e potencial de nos tornarmos seres humanos soberanos. Soberania passa por muita coisa, sobretudo pela auto-estima, pelo reconhecimento de quem somos! Este é um caminhar da humanidade e ele é inexorável. Não importa minimamente que alguns e algumas achem isto utopia, não importa! Porem eu vou percebendo os sinais aqui e ali, vou mesmo. Olha só um deles, para reforçar minha tese, sabemos que a ONU é um reduto de altos interesses do sistema, deste sistema falido e cruel que teima em arrastar a humanidade sob grilhões. Seja ele capitalista, comunista neo-socialista o que for, é velho, ultrapassado e mau cheiroso! Mas desde 2008 que temos lá o Miguel d’Escoto Brockmann, e não tem nada a ver com o fato dele ser Sandinista, podia ser o diabo a quatro que eu não o reconheceria como um portavoz de porra nenhuma! Acontece que ele está com uma postura aberta, e até que me provem o contrário nova onda mesmo! Me acende uma alegria imensa na alma, me mostra que algo tá rolando e muito bem rolado! Esperanças? Alegrias? Desejos do novo? De que finalmente uma luz se faça clara e bem distinta no final deste túnel escuro que estamos a ultrapassar nos últimos milênios? Hummmm estou tão acostumada a ver os ícones da "liberdade" se esborracharem na improbidade (de pensamento, palavra e ação) que meus três fios de barba estão de molho há éons. Mas sinto, em mim, ao meu redor, no ar, no mar e na terra, assim como no fogo que há uma nova onda rolando, daquelas que a gente se assusta com o tamanho, acha que vai morrer tal a força e a imponência, mas, olha a gente surfando nela com habilidade e graça. Ora, ora, ora, e não é que em junho foi lançado o "Outcome Document" na Conferência Internacional das Nações Unidas sobre a Crise Financeira e Econômica Mundial e Seu Impacto sobre o Desenvolvimento. "Até ai, morreu Neves" como dizemos por aqui,pois foi nesta mesma ONU que se produziu a declaração dos Direitos Humanos e o que se viu e se ve por ai até hoje? Milhões de seres humanos com seus direitos usurpados! Porem o discurso do Presidente da Assembléia Geral da Onu, o Miguel d’Escoto Brockmann, merece ser reproduzido, apreciado e...aguardado os resultados. É certo que por força do hábito ( na acepção da palavra) ou da batina, alguns conceitos expressos são baseados em sua crença, mas trata-se apenas de crença que a nova onda lava! É um humano polêmico? sim é. Tem suas diferenças religiosas? hummm sim, tem, mas elas são apenas arestas que não invalidam tal figura, tal discurso e tal ímpeto do novo! "Nova York, 26 de Junho de 2009 Excelências, Colegas das Nações Unidas, Representantes da Sociedade Civil, Irmãos e irmãs, Chegamos à metade do terceiro dia desta histórica conferência das Nações Unidas sobre a Crise Financeira e Econômica Mundial e seu impacto sobre o desenvolvimento. Parabenizo a todos por ter iniciado, com êxito, a conversação global sobre a crise econômica que ainda continua se desenvolvendo e também por ter dado inicio a uma profunda e sem precedente revisão da estrutura financeira e econômica internacional. O mundo teve a oportunidade de escutar as vozes do G-192. Todos os membros da Assembléia Geral tiveram e continuam tendo a oportunidade para expressar seus pontos de vista. Hoje, nossos esforços têm sido coroados com a adoção por consenso de um “outcome document” que representa o primeiro passo dentro do que será um longo processo para pôr o mundo em um novo caminho até a SOLIDARIEDADE, estabilidade e sustentabilidade. A Assembléia Geral das Nações Unidas, o G-192, já foi estabelecido como o foro favorável para discutir os assuntos das finanças e economia mundial, isto em si já é uma grande realização. Também, foi pedido à Assembléia Geral para dar continuidade a este assunto através de um grupo especial de trabalho de composição aberta. Os assuntos para continuidade envolvem desde a diminuição da crise, incluindo os temas de Estímulos Globais, Direitos Especiais de Giro (DEGs) e Moedas de Reservas, até temas sobre a reestruturação dos sistemas e estrutura, financeiros e econômicos, incluindo a reforma das instituições financeiras internacionais e o rol das Nações Unidas, a dívida externa, o comércio internacional, os investimentos, os impostos, assistência para o desenvolvimento, Cooperação Sul-Sul, novas formas de financiamento, corrupção e fluxos financeiros ilícitos, regulamento e supervisão. Ao mesmo tempo, se reconhece que a crise financeira e econômica não deveria retardar a resposta mundial necessária à mudança climática e a degradação do meio-ambiente através de iniciativas para alcançar uma “economia verde”. O G-192 provou ser capaz de concordar, por consenso, com a realização desta Conferência, suas modalidades e um documento substantivo final sobre assuntos de grande relevância para a humanidade. Foi, também, capaz de definir um caminho a seguir para levar adiante o processo a partir das Linhas de Ação do Documento Final desta Conferência. Foram 3 dias muito prósperos, de trabalho e, agora que o documento final já foi formalmente aprovado, devemos parabenizar a todos e especialmente parabenizar nossos co-facilitadores, os Embaixadores Frank Mayoor do Reino dos Países Baixos e o Embaixador Camilo Gonsalves de San Vicente e Granadines. É claro que nós também expressamos nosso mais profundo agradecimento à Comissão Presidencial de Peritos, tão habilmente coordenada pelo Professor Joseph Stiglitz. Estamos felizes, porém, não contentes, ou melhor, não completamente satisfeitos. Há outras crises que surgem no horizonte, como a da água potável, a do aquecimento global, alimentação, a energética e a humanitária, dos milhões de irmãos e irmãs, especialmente dos menores, que passam fome e têm sede. Essas crises, nós temos que confrontá-las, todos juntos. Nossas propostas de hoje apontam nessa direção. Porém, ainda há muito para ser feito. Estamos felizes pelas manifestações de vontade política, de assumir nossa responsabilidade comum em cooperar, porém, não estamos satisfeitos enquanto estas questões urgentes não forem resolvidas. Minha função, como Presidente desta Assembléia Geral, onde se reúnem os representantes de todos os povos da Terra, é os convidar a olhar para longe, ir além da economia, olhar com esperança o futuro comum da Terra e da Humanidade. Cabe então perguntar: Qual é o próximo passo? Não necessariamente o próximo passo da economia, mas, da humanidade. Para onde vamos? Provavelmente, neste momento, ninguém sabe responder a isto com uma certeza. Porém, se não sabemos, podemos todos juntos, buscar e criar os consensos que podem nos conduzir até um cenário de esperança para todos e para a Mãe Terra. Neste contexto, me vem à mente a visão de um grande cientista, arqueólogo que era ao mesmo tempo um místico, o francês Piere Teilhard de Chardin. Na China, onde fazia suas investigações sobre o "homopekinensis", ele teve uma espécie de visão. Olhando os avanços tecnológicos, comerciais e das comunicações que reduziram as distâncias e davam as bases do que ele preferiu chamar mundialização, em vez de globalização, Teilhard de Chardin dizia já nos anos 30 do século passado: estamos assistindo à emergência de uma nova era para a Terra e a humanidade. Vai irromper, nos dizia Chardin, a Noosfera, depois de ter irrompido no processo evolutivo a antroposfera, a biosfera, a hidrosfera, a atmosfera e a litosfera. Agora é a nova esfera, a esfera das mentes e dos corações sincronizados: a noosfera. Como sabem noos (nus) em grego significa espírito e mente unidos ao coração. Para onde vamos? Permito-me acreditar e esperar que vamos todos assistir à lenta, porém irrefreável erupção da noosfera. Os seres humanos e os povos vão se descobrir e se aceitar como irmãos e irmãs, como família e como uma espécie única, capaz de amar, de ser solidário, compreensivo, não violento, justo, fraternal, pacífico e espiritual. É uma utopia? Sim, uma utopia, porém, uma utopia necessária. Ela nos orienta em nossas buscas. A utopia é, por sua natureza, inalcançável. Porém é como as estrelas: são inalcançáveis. Mas o que seriam nossas noites sem as estrelas? Elas seriam pura escuridão e nós estaríamos sem rumo e perdidos. Por isso a utopia nos dá direção e sentido de viver e de lutar. Então, a noosfera é o novo passo para a Humanidade. Permita-me uma pequena divagação: Se no tempo dos dinossauros, que viveram há mais de cem milhões de anos na Terra e que desapareceram há uns 65 milhões de anos atrás, um observador hipotético se perguntasse qual seria o próximo passo na evolução, provavelmente teria pensado: mais do que o mesmo. Quer dizer, dinos até maiores e mais vorazes. Porém, com esta resposta haveria um engano. Este observador hipotético nunca teria imaginado que um pequeno mamífero, não maior do que um coelho, que vivia no alto das árvores, alimentando-se de flores e brotos, tremendo de medo em face à possibilidade de ser devorado por algum dinossauro, acabaria sendo nosso ancestral. Dele, milhões de anos depois, surgiu algo absolutamente novo, com qualidades completamente diferentes das dos dinossauros, um ser portador de consciência, de inteligência e de amor: o ser humano, e nós, que estamos aqui reunidos somos os seus descendentes. Então, não era mais o mesmo. Foi uma ruptura, foi um novo passo. Eu acredito firmemente que hoje, outra vez, estamos diante de um novo passo no processo evolutivo: o passo para uma humanidade unida entre si, unida com a natureza, unificada com a Mãe Terra. Quase me atrevo a repetir: "Eu tenho um sonho!” Sei, é que realmente é um sonho. Um sonho grandioso, bom e feliz. O novo passo terá como conteúdos principais: a vida em todas as suas formas, a Humanidade com todos os seus povos e etnias, a Terra como Mãe com toda a sua vitalidade e a economia criando as condições materiais para que tudo isso seja possível. Vamos precisar do capital material acumulado, porém, a atenção estará no capital humano e espiritual cujos frutos melhores são a fraternidade ou irmandade, cooperação, solidariedade, harmonização, justiça econômica e ecológica, compaixão e capacidade para viver alegremente com todas as diferenças, na mesma Casa Comum, a grande e generosa Mãe Terra. Dizem por aí que Jesus, Buda, Francisco de Assis, Rumí, Tolstoy, Gandhi, Dorothy Day e Martin Luther King e tantos outros grandes profetas e mestres do passado e do presente, cada país e cultura com os seus, já teriam, antecipadamente, dado este novo passo. Todos eles são nossos mestres seminais, nossas estrelas guias, que alimentam em nós o princípio da esperança que nos garante que ainda temos futuro, um futuro bem-aventurado para todos. Como disse muito bem o nosso querido irmão Joseph Stiglitz: "O legado da atual crise econômica e financeira será uma batalha de alcance global em torno de idéias". Eu acredito firmemente que serão novas idéias, novas visões e novos sonhos, que galvanizarão nossos espíritos e nossos corações. Os velhos deuses estão agonizando, os novos estão nascendo com vigor de um recém nascido. Minhas reflexões querem ancorar energia e entusiasmo para essa batalha de idéias e de visões. Para poder dar o salto qualitativo para frente, nós humanos devemos desistir de nossa obstinação em acreditar sermos donos e senhores da criação, proprietários, esquecendo que somos apenas os mordomos - que, além disso - já é muito. Só quando aceitarmos que somos os tutores e não os donos e que um dia teremos que prestar contas de nossa tutoria (stewardship), só então resplandecerá a grandeza de nossa humanidade. Muito Obrigado." Assim é!