
(clique na imagem para ve-la ampliada)
Tenho a impressão que peguei uma onda e surfei nela.
Uma destas que nos impulsiona pelo tempo e empurra-nos, gentil mas firmemente.
Pois, uma tal onda de amor por esta terra e pelo seu povo me apanhou.
Acho que os amantes e as amantes deste Portugal lançaram esta onda de amor e dedicação.
Assim, quando dei por mim eu, andarilha, estava jorrando amor.
Uau! Por isto construíram e ofereceram tantas belezas, por amor ao povo e ganharam mundo!
Não me disponho a falar turisticamente, hummmm…acho um saco!
Tampouco da história, putz e que história!
Sequer tenho competência para falar de sua bela arte.
Falo do que toca minha alma.
Este Portugal que me fascina.
Assim, vou tecendo, andarilhando por aí…falando da palavra que quando proferida, pela autoria de tantas e tantos escritores portugueses, sai poesia.
Das artes plásticas que refletem o mundo em azulejos.
Da arquitetura que arrebata os sentidos.
Da história construída com valentia, aventuras, poder, escrita com bravura e perdas mas sempre em busca da autonomia, da soberania. E olha que eles botaram muita gente pra correr daqui, todos que quiseram tomar-lhe as terras e a soberana forma de estar. Pegaram pelos cornos e os lançaram fora! Hehehehe, gosto disto! Que nem eles fazem nas touradas, peitam os touros abertamente.
Da música, fado vadio que ainda presenciarei, mas que já ouvi e fui…levada pelo cantar compassado que devassa os sentidos.
Dos monumentos que selam a vida passada com graciosidade e força.
Bom, tem uma coisa aqui, a história sempre é contada de forma a nos colocar na linha do tempo com o terremoto de 1755. Este que destruiu Lisboa. E aí surge a figura do Marquês de Pombal, aquele da derrama, que incitou com esta a Inconfidência Mineira. Aliás ele fez um rebuceteio no Brasil e se nossa língua é o português foi por causa dele também Uai! Que proibiu a mistureba do português com os idiomas dos índios, um tal de “nheengatu” e mais, transferiu a capital de Salvador para o Rio de Janeiro, economicamente mais ativo!
Tá tudo bem, mas este gajo reconstruiu Lisboa! E mais, acho que ele foi o primeiro a ter noção que o estado é laico!
Alem de expulsar os Jesuítas, ele tirou a educação das mãos da igreja!
Uoops…tiro meu chapéu pro Marquês!
O homem fez uma reforma daquelas, tanto politica, como econômica, como religiosa. E…mudou as feições de Lisboa, era um visionário, um iluminista…e um absolutista. Ele fortalece com suas ações o poder do rei.
Bom, mais andarilhando…fui a Sintra!
Não, fala sério! Pisar num sítio (acho graciosa a forma como eles chamam de sítio, o que para nós é lugar.) que tem fósseis do século X AC é uma viagem! Tudo bem que existam outros lugares que antecedem este momento da nossa história humana, mas eu fiquei arrepiadinha!
Pô, e depois o que é aquilo, o tal Castelo dos Mouros? Caramba! Só de ver de longe, bem de longe meu coração gritava:
“Quero ir lá…quero ir lá!”
E na medida que ia subindo, e subindo, caraça a gente sobe muito, aqueles mouros eram pirados! Conseguiram construir uma fortaleza nos píncaros!
E a cada torre que eu chegava, só de ver as bandeiras tremulando meu coração tremia na mesma sintonia do vento.
E lá estavam as bandeiras de cada momento histórico.
Gente, uma bandeira é carregada de símbolo e a gente que nem sabe fica tomada por eles, bom pelo menos eu fiquei!
A de Dom Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal tremulando na mais alta torre daquele castelo é…ui…uma coisa de louco!
Eu senti em minhas entranhas um orgulho danado! E fico me perguntando porquê?
Sei não, mas este rei era danado de imponente!
E conquistou uma nação. Pois desta,a parte que dá prá ver de lá é de tirar o fôlego. Acho que é tão alto e a gente vê tanta terra e tanto mar que sinto como estivesse vendo Portugal inteirinho dali, daquela torre, sob a bandeira linda com um azul cortando de norte a sul, de leste a oeste o branco iluminado.
Se vê Lisboa, o mar imenso, se vê um pedação daqueles!
E dali, do alto, naquela parte da história fiquei hipnotizada pelos sentimentos que explodiam em meu coração.
Senti ternuras pelos pescadores, pelas cozinheiras, pelas camponesas por seus pés largos e doridos e por suas mãos nodosas.
Me nutro delas e deles.
Senti um desejo intenso de fazer parte deste povo português, desta nação bela e orgulhosa de si, senti mesmo, um amor luso-brasileiro por todo este país.
Senti tamanha gratidão e uma vontade enorme de colocá-los no colo de minha alma.