
Ontem, não tão ontem assim, naveguei por mares distantes.
Descaminhando tal andarilha que sou,
sem querer, assim como, quase ao acaso, cheguei enfim ao (des)conhecido.
Olhos correndo no Tempus,
Coração escorrendo em Blogandi.
Oh! Poeta que tanto me acende e serve, ouso tomar de ti palavras que mal concebo:
Linha severa da longínqua costa -
Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta
Em árvores onde o Longe nada tinha;
Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:
E, no desembarcar, há aves, flores,
Onde era só, de longe a abstracta linha.
O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esp'rança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte -
Os beijos merecidos da Verdade.
(Fernando Pessoa - Mensagem)
Ontem, tão hoje, deslumbro-me encantada com tal graça no encontro inesperado.
Hoje, quase amanhã me sento à proa, ainda, perscrutando, tal navegadora andarilha, a magnificência encontrada.
Amanhã, tão hoje e guardando o ontem, escrevo, assino, vivo.
Amor!