
Dei este título ao post por vários motivos que no decorrer desta escrita ficará, acho eu, óbvio.
Meu filho mais novo foi atropelado por um ônibus na Rua das Laranjeiras.
Recebi o comunicado minutos após o acidente. Um anônimo, a quem agradeço profundo em meu ser, me telefonou de seu celular. E este mesmo anônimo me ligou, no dia seguinte, para saber como estava meu filho! Solidariedade e legitimo interesse. Agradeci-lhe, mas sinto que não foi o suficiente.
Pois, assim que recebi a ligação, do jeito que estava, sai alucinada pela rua! Peguei um táxi. Mas o trânsito estava parado. Provocado, exatamente pelo acidente de meu filho.
Desesperada, quase a beira da insanidade, paguei o motorista e disse:
“Vou a pé mesmo!”
E lá fui eu correndo meio aos carros!
Com o coração gritando como uma sirene.
Cheguei pedindo passagem à aglomeração de pessoas, minha respiração em descompasso e meu olho viram a ambulância do Corpo de Bombeiros.
Coração, respiração, olho ansioso na busca de ver meu querido pequeno grande ser, fala entrecortada, acalmando-se ao vê-lo imobilizado impecavelmente com um cuidado profissional e eficaz, já com soro, e toda a equipe de paramédicos a atendê-lo.
Uma paramédica viu meu olhar atônito e a face a transmitir desespero, reconheceu-me assim, como a mãe do menino.
E aquela jovem, não devia ter mais que 35 anos, segurou-me ternamente na mão e na voz delicada e firme de oferece tranqüilidade, convida-me a entrar na ambulância assim, pude estender a minha criança grande segurança, apoio e conforto.
A fora a vontade de estapear-lhe pela imprudência resultando no susto a arrebentar-me por dentro.
E lá foi a ambulância gritando em sua sirene tal qual meu louco coração gritou momentos antes por entre os carros, abrindo passagem para socorrer meu filho querido.
E neste grito da sirene, com meu coração martelado pela angústia e susto, olhei aos paramédicos que continuavam seu atendimento com o carro em movimento, senti uma enorme gratidão, mas só fiz chorar.
Assim, lágrimas de gratidão por saber que meu filho estava sendo amparado, cuidado, tratado por mãos que acariciaram meu ser mãe.
Fica aqui, expressa minha gratidão a esta corporação valorosa, corajosa e que atua destemidamente, prestando um serviço que transcende a qualidade profissional, mas, sobretudo com uma presença firme, respeitosa, imediata e amiga.
Estendo esta gratidão a você, anônimo, que ofereceu a mim, a meu filho e a minha família seu coração generoso, cujos únicos interesses foram o de ser solidário e desinteressado até do meu agradecimento!